A Torá é vista pelos cabalistas como uma crítica ao processo civilizatório.
Este trecho da Torá se refere à Teshuvá (retorno). O retorno ao sagrado. Na verdade este é todo o trabalho da Cabalá Essencial.
Retornar ao Jardim do Éden é conseguir reconstituir a intimidade com o Sagrado. Adão se expulsa do Gan Éden, pois abraça a vantagem e abre mão do senso de dever. Teve vontade de comer o fruto, pois teria vantagens.
Desde então, a humanidade foi acometida por um esquecimento e nós não conseguimos mais nos ver na natureza, muito menos estar em harmonia com ela, pois nos colocamos de forma separada.
A causa de todo desequilíbrio em nossas vidas é gerado por esse esquecimento, que ocasiona o bloqueio do recebimento do que o sagrado oferece.
Habitamos alienados à presença do sagrado. Deixamos de ouvir Sua voz e só temos a 1ª visão da existência, ou seja, somente enxergamos os fatos por si só. Os elementos da vida civilizada dos distraem de produzir uma vida com pensamento, verdade e beleza.
Temos que combinar essas 3 coisas, essa é a natureza do sublime.
Espiritualidade é formar na vida cotidiana esses quadros estéticos.
Só conseguimos isso produzindo uma 2ª visão, o plano na idéia. Só com a 2ª visão conseguimos desenvolver pensamento.
Enquanto a 1ª visão é puramente ficção, a 2ª visão é a interpretação de tudo. E para isso temos que desenvolver pensamento.
A vida é tediosa na 1ª visão. Trivial e opaca.
Temos que transcender o real. Pensar o real com sentido de grandeza. E para ter propriedade, temos que deter nossa atenção em poucas coisas. Ter atenção profunda em poucos fatos.
O mundo civilizado nos ensina justamente o contrário, que o importante é sermos cultos e termos muitos conhecimentos gerais e, com isso, acabamos sendo rasos em muitos fatos.
Uma vida significativa é uma vida com profundidade.